A doce dança dos opostos interiores

Na distância preenchida pelas estradas que separam cidades, assim como o caminho que percorrem os projetos, desde sua concepção até a execução, foi nesse intervalo que nasceu a nossa Celebração da Lua de Março. Neste espaço livre, cheio de significados, que habita entre uma inspiração e uma expiração. Entre uma palavra e outra. Foi bem ali…

Uma Lua de responsa. Afinal, convencionou-se o 8 de março como Dia Internacional da Mulher! Convenções à parte, uma luz direcionada aos assuntos femininos é muito bem vinda para colocar em vitrine (mais do que tentamos por todo o ano!) os percalços pelos quais os seres manifestados femininos neste planeta, ainda precisam (precisam?!)  passar.

Mas não pensamos numa Lua Rosa. Não pensamos em flores, em mimimis. Pensamos na integralidade do Ser, que embora manifestado em corpo feminino, guardava ambas essências – masculina e feminina – intactas e atuantes dentro de si.

Branco e Preto. Claro! As cores das vestimentas já estavam escolhidas, em meio à unissonância de nossas ideias! E animais! Sim… Animais?? Mas por quê?

Porque os animais ainda mantém seus instintos intactos e são cientes de seus corpos. São seres do agora. São tal qual como nós, seres humanos, com uma única, mas gritante diferença: vivem o “aqui e agora”! Pediríamos então que cada uma invocasse e trouxesse consigo seu animal. E eles vieram! Aos bandos, de todos os reinos: da água, da terra, do ar e até, vejam vocês, de outras dimensões!!!

Éramos donzelas e anciãs quando chamamos a Lua para se materializar para nós. A donzela que nos acompanhava na concepção da celebração, sofreu a perda de seu genitor no dia seguinte ao nosso encontro. Fato que, por sentir-se amparada pela força do feminino e seus braços de deusa, que acalentam e curam, pôde encarar com ancoramento, consciência e coragem!

Sábio Universo, que nos protege com o bálsamo de cura preparado cuidadosamente pelas hábeis vibrações amorosas das irmãs de todos os reinos terrestres e celestes.

Brotou também a ideia de colocarmos para reconhecimento, os polos da dualidade de dentro de nós. O masculino e o feminino sagrado que habita cada um de nós, teria a oportunidade de ser visto, compreendido, amparado. Pedimos que cada uma apenas olhasse de uma dimensão não racionalista de seu ser. Seja o observador!

Trabalho lindo! Reconhecer é um passo importante (senão o mais importante!) para harmonizar as diferenças. Ser diferente é bom, é fecundo e necessário. Se por um lado o masculino interno (Yang)  age explorando e dominando os acontecimentos e perigos externos, assim como o ambiente que o rodeia, o feminino (Yin) age de forma mais espontânea, intuitiva e instintiva. Enquanto Yin pode estar consciente de várias coisas ao mesmo tempo, Yang se concentra em um único aspecto de cada vez; enquanto o lado Yin cuida da energia da força vital, Yang intermedia Yin e o mundo exterior com excelência.

Essas lindas e perfeitas diferenças devem ser vistas com amor e ser compreendidas para que a dança possa se completar, até a próxima volta, onde novos movimentos devem ser empreendidos, numa eterna vibração que, para ser harmoniosa, deve oscilar entre um e outro.

Masculino e Feminino acolhidos, e é hora de aprender o YoniLingan, o mudra que une feminino e masculino em um gesto de mãos. Um mudra muito poderoso para o equilíbrio interior, entoado juntamente com o mantra Adi Shakti.

muyoniling.jpg

Adi Shakti, Adi Shakti, Adi Shakti, Namo Namo
Sarab Shakti, Sarab Shakti, Sarab Shakti, Namo Namo
Prithum Bhagvati, Prithum Bhagvati, Prithum Bhagvati, Namo Namo
Kundalini Shakti Mata, Mata Shakti, Namo Namo

First force of all creation, to You I bow.

Divine force, everywhere, to You I bow.

Creative force, primal force, to You I bow.

Rising up, Divine Mother, to You I bow.

“SHAKTI significa o princípio feminino, os aspectos femininos em todos os níveis e dimensões; o aspecto do poder interior, poder da consciência, poder planetário, cósmico, Absoluto.
Shakti é vida, é energia, é matéria, é a força pré-existente e existente que manifesta, emana, plasma, ancora, aterra. É o poder de criação, sustentação e transformação. Shakti é o poder divino feminino, que tanto desperta a consciência, como manifesta a consciência.
O feminino contém o mistério da criação. Esta verdade simples e primordial é freqüentemente negligenciada, mas neste tempo de crise global, que também carrega as sementes da transformação global, temos de despertar o poder espiritual e potencial do feminino. Sem o feminino nada novo pode nascer, nada novo pode vir à existência.”
(do post no facebook de Prem Samit Janaina Benke, com Gratidão!)

“A Essência da mulher precisa ser resgatada. Sua Alma precisa ser libertada. E sua Dança interior deve ser praticada”. (Osho) 

Então conversamos sobre tudo que estavamos sentindo naquela noite especial, porque ela é realmente especial quando estamos todas juntas, e fomos rápidas nos dizeres, pois éramos muitas, todas com os coraçõezinhos acelerados, mal conseguindo compreender, a nível consciente, tanta energia sendo emanada.

Todas doam. Todas recebem. Todas se unem. E juntas, somos a grande mãe, somos a terra e seus vários solos agregados, nutridores, potentes berços de sementes. Inesgotáveis geradoras de auto cura, consciência e Amor Universal. “Nós somos todos uma família, e Mãe Terra é a nossa casa”.

Dançamos como as tribos primitivas, numa grande roda, abraçadas, batendo os pés no chão, invocando Durga, a mãe do hinduísmo, que em essência, representa o multifacetado aspecto Feminino em todo o seu esplendor. A Deusa somos todas Nós! A Deusa esta em todas nós!

Somos as mães, as filhas, as avós, as companheiras!

Somos ancoras, bandeiras, flores e amores.

Somos fruta, semente e pêlos. Muitos pêlos, penas e escamas. De todos os animais que dançam em nós e através de nós. Dançam para nos lembrar da poderosa experiência que é estar vivo!

E com o pensamento como o da Postura do Guerreiro, do Yoga, nos despedimos com um pé no passado, outro no futuro, mas o centro energético do corpo todo aqui, no presente!

Haux haux!

Texto de Milena Morvillo ( https://milmileniuns.blogspot.com.br/2018/03/a-doce-danca-dos-opostos-interiores.html)

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